Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes… tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer:- E daí? Eu adoro voar!
Não me dêem fórmulas certas, por que eu não espero acertar sempre. Não me mostrem o que esperam de mim, por que vou seguir meu coração. Não me façam ser quem não sou. Não me convidem a ser igual, por que sinceramente sou diferente. Não sei amar pela metade. Não sei viver de mentira. Não sei voar de pés no chão. Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra sempre.
- 6 months ago
"Sumi porque só faço besteira em sua presença, fico mudo quando deveria verbalizar, digo um absurdo atrás do outro quando melhor seria silenciar, faço brincadeiras de mau gosto e sofro antes, durante e depois de te encontrar.
Sumi porque não há futuro e isso não é o mais difícil de lidar, pior é não ter presente e o passado ser mais fluido que o ar.
Sumi porque não há o que se possa resgatar, meu sumiço é covarde mas atento, meio fajuto meio autêntico, sumi porque sumir é um jogo de paciência, ausentar-se é risco e sapiência, pareço desinteressado, mas sumi para estar para sempre do seu lado, a saudade fará mais por nós dois que nosso amor e sua desajeitada e irrefletida permanência."
— Martha Medeiros (via wefoundlove8)
- 6 months ago
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Se você intupiu o bong dando uma bongada é pala, passa ele pra mim que eu faço carburar!
- 11 months ago
“Eles se amam. Todo mundo sabe, mas ninguém acredita. Não conseguem ficar juntos. Simples. Complexo. Quase impossível. Ele continua vivendo sua vidinha idealizada e ela continua idealizando sua vidinha. Alguns dizem que isso jamais daria certo. Outros dizem que foram feitos um para o outro. Eles preferem não dizer nada. Preferem meias palavras e milhares de coisas não ditas. Ela quer atitudes, ele quer ela. Todas as noites ela pensa nele, e todas as manhãs ele pensa nela.”
- 11 months ago
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Em todos os lugares você elegia um homem e passava a fantasiar que ele era do meu interesse, e a partir dali perscrutava meus olhos para saber se eu estava olhando pra ele, e eu que não tinha interesse em mais ninguém a não ser em você, passei a me sentir vigiada, investigada e culpada pelo que eu não fazia. Então isso é que é ciúme? (…) No começo, não me estressei tanto. Era envaidecedor. E inédito. Eu não sabia que romance era esse que se iniciava de forma tão acelerada entre dois seres provenientes de universos distintos. Seria bobagem me incomodar com você tão cedo, eu estava me sentindo dentro de um parque de diversões, e o passeio de montanha-russa estava incluído no ingresso. Mas descobri que minha paciência era menor que minha indulgência com esse admirável mundo novo. Tivemos nosso primeiro rompimento, que eu julgava o último. Inocência minha. Foi o primeiro de uma centena. Eu já havia sido apresentada ao seu poder de sedução, mas não imaginava que ele seria tão edificiente e inesgotável. Eu via você como um extraterrestre que havia sido esquecido pela sua nave espacial aqui neste planeta, não falávamos o mesmo idiota, não pensávamos de forma parecida e não sei como nos comunicávamos, o que havia entre nós era apenas uma vontade, uma enorme e insaciável vontade de investigar o que haveria no lado oculto da lua, ver onde essa maluquice iria dar, aonde poderíamos chegar, quem aguentaria mais tempo, quem seria o primeiro a jogar a toalha, e feito duas crianças prendemos a respiração e mergulhamos um no outro para, em tese, nunca mais emergir. Eu vivia um êxtase, a cada manhã eu acordava para uma surpresa, nenhum dia foi igual ao outro e eu nunca mais fui igual a mim mesma, estava indecentemente alegre, moleca e mesmo quando ficava enfurecida com seus delírios sobre outros homens, ainda assim aquela era fora de esquadro, eu descentralizada, nunca havia me dado esse direito antes. Eu sei porque eu disse que te amava com tão pouco tendo de convívio: porque eu estava me amando pela primeira vez. Estava tudo muito interessante, afora algumas discussões que começavam sem razão nenhuma e que me deixavam intrigada, nunca conseguia detectar em que momento da conversa a coisa havia degrindolado e, quando descobria, me parecia surreal que uma questão tão boba pudesse deixar você tão alterado, mas a fome que eu sentia por você era maior e eu fui deixando pra lá suas alterações súbitas de humor (…) Aquele dia foi a primeira vez que percebi algo maquiavélico na sua aparente doçura, já prenunciando um “sem futuro”. Amei você de um modo que se você conseguir que outra te ame, não desgrude dela como permitiu que eu desgrudasse de você. Era assim que eu me sentia, sendo torturada com uma crueldade que, admito, no começo era muito pueril, muito discreta e suportável, já que depois eu era recompensada por beijos mais que escandalosos e por tanto amor e dedicação que seria impossível pensar em fugir daquele cárcere. Eu fiquei. Eu permaneci. Ainda assim, me perguntava se era mesmo necessário pagar caro por paixão. (…) E quando brigou comigo um dia antes da celebração das bodas de ouro dos meus pais, e também naquela tarde em que você chegou aqui em casa dizendo que precisávamos terminar porque você se sentia inferior a mim. Inferior você nunca oi. Mas, perturbado, completamente. Você precisava de alguém mais íntimo para exercitar sua amargura, alguém que você pudesse começar a torturar com um pouquinho mais de sordidez, e esse alguém era eu, que perdia a cabeça com você, gritava, chorava, me exasperava com sua falta de paz, com sua insistência em tornar tudo mais difícil, com a mania de transformar trivialidades em motivo para emburramento e de fazer tudo isso como se eu fosse a responsável por seus acessos de ira. Você me tirava do sério de um jeito que nunca havia me acontecido, eu parecia estar endoidecendo, mas não ia embora porque acreditava que você ainda valia a pena. Valia porque, nas horas em que não estava irritadiço, em que não estava sendo excessivamente desconfiado e crítico, você ainda era aquele cara que eu considerava um presente da vida. Um homem lindo, generoso, incansável na sua busca em agradar os outros, em ser útil, prestativo. Quando dei por mim, era assim que eu tocava os dias: te amando e sendo exigida além do meu limite, te amando e não conseguindo realizar os teus desejos mais secretos, te amando e me sentindo sempre em dívida, porque você era o doador universal e eu, a receptora universal. Você queria que tivéssemos um projeto de vida em comum e eu acreditava que o amor podia ser um projeto de si mesmo, e assim prosseguíamos, você falando russo e eu, latim. Pensando bem, insistimos nessa relação além do razoável. Hoje me pergunto se você me amou de verdade. Mantenho bem guardadas as nossas fotos, bilhetes, cartas, e-mails, e esse espólio sentimental registra um amor com toda a pinta de ter existido, mas não descarto a hipótese de você ter apenas projetado um amor em mim para vencer sua carência existencial, que era do tamanho da muralha da China, visível a olho nu e a milhões de metros de distância. De minha parte, você me fez feliz e eu sei exatamente quando, como e por quê. Em contrapartida, olho pra trás e não lembro de ter feito você feliz da mesma forma, ao menos não com o mínimo de serenidade: você nunca me considerou um repouso, um porto, um albergue. A impressão que eu tinha é que minha presença funcionada como um dispositivo que fazia você entrar em euforia ou em surto. Quando sentávamos lado a lado em algum lugar apara apreciarmos uma paisagem ou para lermos um livro ou simplesmente para batermos um papo, eu achava que tinha morrido e ido para o céu. Era uma bênção ter você com os batimentos cardíacos desacelerados, entregue ao ócio, em estado contemplativo e demonstrando uma segurança rara, sem querer brigar com ninguém nem contra nada. Teve dias inteiros em que a gente viveu como vive a maioria dos casais, sem rompantes desatinados, sem complexos de perseguição, um confiando no outro e se divertindo juntos. Mas eram dias incomuns, longe de qualquer contato com a sociedade. Foram os dias fáceis do nosso relacionamento e os mais inesquecíveis. Mas a vida não é um estado constante de férias. Bastava eu voltar para o meu trabalho e você para o seu, para que todas as criaturas que ousassem respirar perto de nós fossem vistas como inimigas em potencial, pessoas das quais você precisava se defender porque se sentia sempre prestes a ser atacado, o mundo contra você, e se ao menos eu fosse considerada uma aliada sua, mas não, eu era mais um elemento do exército oposto, aquela que estava mais perto e que podia receber seus golpes mais certeiros. Você nunca foi violento, mas como era cruel. E assim caminhávamos para o despenhadeiro de mãos dadas, unidos pelo desespero de querer tanto um ao outro e não vislumbrar atalho algum que nos desviasse da queda. A questão era simples: para continuar ao seu lado eu teria que desistir de mim, da minha liberdade, da minha visão desestressada da vida. E era o que estava muito próximo de ocorrer. Eu, uma adulta graduada, passei a agir como criança. Passei a me desprezar. Estava me tornando uma mulher medíocre, que perdia tempo dando explicações estapafúrdias sobre coisa nenhuma. Quando você chegava em casa sorridente, com uma garrafa de vinho na mão e fazendo planos para o final de semana que passaríamos juntos, eu pisava em ovos para que esse final de semana não terminasse dali a três horas por causa de um mal-entendido ou de uma frase que não caísse bem em teus ouvidos. Será que eu ainda me amava? Uma mulher que procurava não tocar em assuntos que pudessem resultar em atrito. Uma mulher que evitava ser espirituosa com receio de não ser compreendida. Uma mulher que não dava opinião contundentes para não parecer moderna e mais. Uma mulher que escondia o fato de ter encontrado um amigo na rua porque era um amigo, e não uma amiga. Uma mulher que estava se tornando também ciumenta, porque não sentir ciúme poderia denunciar algum desinteresse. Nosso namoro avançava e a mesmo tempo retrocedia velozmente, minha paciência havia sido quase toda consumida e já estava na reserva, eu alertava você, mas você não ouvia, continuava me testando, e eu não conseguia libertar você desse seu desamparo, eu queria apenas um companheiro, você queria uma salva-vidas. Eu ainda estava convencida de que você era apenas um cara difícil, um pouco mais difícil que o tolerável, e que tudo não passava de uma questão de temperamento e que se poderia tentar um alinhamento psicológico com meia dúzia de consultas, ingênua que sempre fui nesses quesitos da mente. Estava certa de que você conseguiria, se quisesse, frear um pouco seus arroubos, e se eu fiquei tanto tempo ao seu lado foi porque também acreditei que eu podia igualmente me esforçar mais, e foi o que fiz, juro, mas não havia progresso, as minhas tentativas de fazer você reconhecer que frustrações fazem parte da vida eram infrutíferas, não davam resultado, você era um surdo convicto, e cego, não percebia que ninguém se revoltava, a ponto de detonar tudo o que havia em volta. Devastada por tanta paixão e fúria, dias depois o chão desmoronou, você foi desagradável por causa de besteira, você bufou sem razão, você foi estúpido sem necessidade, você estragou mais uma de nossas noites e eu assumi que minha decepção era inversível, desisti de você, resolvi tirar o peso dessa relação das minhas costas. E daquele momento em diante eu tive certeza de que o que eu sentia por você era irracional e intenso de uma forma que, como ficou comprovado assim que você se foi, me implodiria. Você nunca vai acreditar nisso, vai continuar achando que eu não fiz o suficiente, que não me empenhei o bastante. De fato, eu não demonstrava meu amor através de bilhetinhos, favores, presentes e surpresas, você é quem costumava se dedicar a esses mimos, dava a impressão de que você era o anjo da história e que seu descontrole emocional era provocado, ora, ora, por minha causa, por estar vivendo um amor gigantesco e infinito por essa mulherzinha indiferente aqui. Mas não era nada disso. Você era a fúria, eu era a paixão, e havia no meio de nós um transtorno psíquico que não apenas nos apartou, como evitou um encontro verdadeiro.
Martha Medeiros
- 1 year ago
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